Participantes do seminário “O Legado da Rio+20”Agencia O
Globo / Marcos Tristão
RIO — A Rio+20 não acabou com o fim da conferência, mês
passado, no Rio. Seu legado ainda está em construção, como a definição de metas
específicas para os países, que serão conhecidas nos próximos três anos e meio.
Esta foi a principal conclusão do seminário “O legado da Rio+20 para a economia
verde”, promovido na terça-feira pelo jornal O GLOBO, com apoio da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Além dos desdobramentos da parte oficial da
Rio+20, os especialistas presentes no encontro acreditam que o evento serviu
para dar uma nova dimensão ao desenvolvimento sustentável, um tema que saiu das
rodas de ambientalistas para ser tratado por toda a sociedade.
— A conferência Rio+20 não se encerra em si, pelo contrário:
ela abre um amplo caminho de trabalho — afirmou Izabella Teixeira, ministra do
Meio Ambiente.
A ministra salientou que a Rio+20 iniciou um processo que
deve ser concluído até 2015: a definição dos objetivos de desenvolvimento
sustentável da ONU, um novo tratado sobre o clima e nova regulamentação de
proteção aos oceanos. Entre os principais pontos de progresso na Rio+20, ela
cita a discussão para criar um novo indicador para substituir o Produto Interno
Bruto (PIB), o fortalecimento do órgão da ONU para o meio ambiente (Pnuma) e o
debate sobre consumo sustentável. Ela mencionou ainda a criação do Rio+, centro
de excelência de debates que ficará no Rio para analisar o desenvolvimento
sustentável, ligado à ONU.
Izabella também chegou a brincar com as críticas ao texto
final que surgiu do encontro de chefes de Estado. Ela começou sua apresentação
lendo manchetes negativas sobre a conferência. Quando a maior parte dos
presentes no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, acreditava que as notícias
se relacionavam à Rio+20, a ministra mostrou que eram títulos das reportagens
da Rio-92, no momento de seu encerramento, sugerindo que a crítica é pontual e
que a análise correta do legado depende de um tempo histórico diferente.
— Achei este seminário muito relevante, pois temos agora
muito trabalho pela frente e não podemos nos perder dos debates que tivemos —
disse a ministra, que destacou que a complexidade dos debates não se refere
apenas à diferença entre os países, lembrando que mesmo no Brasil há realidades
antagônicas. Segundo ela, não há, por exemplo, uma recicladora sequer no Norte
ou no Nordeste.
Sergio Besserman, presidente da Câmara Técnica de
Desenvolvimento Sustentável da prefeitura do Rio, afirmou que a avaliação sobre
o legado da Rio+20 é complexa, pois envolve diversos aspectos, que vão além do
documento oficial produzido pelos países. Ele cita como avanços o nível do
debate técnico nos mais de três mil eventos paralelos que ocorreram durante a
conferência, e a maior responsabilidade para a cidade do Rio, que terá de
avançar em pontos fundamentais como a coleta seletiva do lixo e o tratamento do
esgoto:
— Não podemos imaginar ter a Baía de Guanabara ainda poluída
daqui a 20 anos.
O economista e ambientalista acredita, também, que um dos
pontos positivos da Rio+20 foi a desmistificação de alguns temas:
— Não adianta achar que a energia eólica e a solar vão
substituir o petróleo. Na geração de energia, teremos de discutir todas as
formas, como hidrelétrica e nuclear. O legado da Rio+20 ainda será construído —
afirmou Besserman.
Debate entre crescimento e sustentabilidade não está
resolvido
Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), lembrou que a Rio+20 terá como legado a realização bienal da
feira ExpoBrasil Sustentável, no Rio, um fundo de R$ 2 bilhões para pesquisa e
desenvolvimento de tecnologias limpas, além de novos desafios para os
cientistas, que deverão estar mais focados na economia verde. Ele também
afirmou que o debate entre crescimento e sustentabilidade não está resolvido:
— É mais fácil escrever sobre os fundos bilionários para o
desenvolvimento sustentável do que ter um diálogo franco com os países
africanos que, com a exploração do petróleo, conseguiram arrancar milhões de
pessoas da miséria —disse Arbix, lembrando que a região é a que mais cresce no
mundo.
Branca Americano, da Fundação Brasileira para o
Desenvolvimento Sustentável (FBDS), lembrou que os debates da Rio+20
evidenciaram a responsabilidade de todos com a sustentabilidade, inclusive dos
consumidores.
— A Rio+20 trouxe o debate para a vida das pessoas, basta
olhar na plateia deste seminário para ver que não há apenas cientistas, cada
vez mais o cidadão comum se interessa por isso. E a discussão agora não é mais
infantil, como se países e tecnologias fossem divididas entre bom e mau, certo
e errado. O mundo é complexo e o debate do desenvolvimento sustentável e da
economia verde também —disse.
Já Monica Messenberg, diretora de relações institucionais da
CNI, comemorou os diversos compromissos assumidos pela iniciativa privada
durante a Rio+20:
— A Rio+20 tornou mais claro que sustentabilidade e
competitividade andam juntas e que tecnologia e inovação são os principais
direcionadores de transformações nesse sentido — disse.
Comentários:
Infelizmente os resultados da Rio+20 estão abaixo do esperado, o evento
trouxe muitas discussões sobre sustentabilidade, mas deixou um traço de
insegurança sobre o quanto daquilo que foi proposto será realizado.
O encontro mostrou que o Brasileiro de um modo geral é organizado e
está em pleno vapor com seus esforços em prol de melhorias para o país. A participação
em massa da população mostrou que somos um povo unido e que juntos poderemos
agir em busca de melhores resultados para nossas vidas. Foi emocionante a
participação e a frequência nos eventos, o movimento realizado no Aterro do
Flamengo, contou com a visita e apoio de milhares de pessoas, lá houve
manifestos de todos os tipos, com relação ao fim do preconceito, erradicação da pobreza, saúde,
bem-estar e união dos povos. O acontecimento deixou um legado de esperança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário